Tamboreiros daquela época

As Yás e Babás ensinavam os filhos a cantar as rezas, isto era feito duas vezes por semana, e os filhos (yaôs) se interessavam muito, pois aprendiam mais a religião e, também, era uma forma de lazer e alegria do negro poder praticar a religião.

Para as Yás, era uma alegria muito grande, quando descobria que tinha tamboreiro se formando no seu ylê, os que mais tinham facilidade em aprender, tinham aulas mais frequentes, assim, cada bacia (família religiosa) tinha seus tiradores de rezas para seus ylês.

O tamboreiro ganhava, como pagamento, um dinheirinho, quando tocava para as mães Oxum. As mães tiravam as rezas do “dyuenyn”, faziam obrigação segurando a saia nas mãos e chegavam na frente dos filhos pedindo um dinheirinho para o filho que estava tocando para os Orixás.

Quando terminava os axés de reza, as Mães soltavam a saia na frente do tamboreiro com aquele Axé de Ouooô para o filho, que ficava muito contente. Este era o pagamento dos tamboreiros.

Conheci diversos tamboreiros, o primeiro foi o falecido Jovino de Ogum, filho de santo da minha avó de santo, Emília Afonso de Araújo, da bacia de Oyó, conhecida como Mãe Emília de Oyá Lajdiá.

Jovino ensinou muitos jovens a tocar e cantar as rezas, foi o maior tamboreiro que já conheci, de muito conhecimento, fundamento e respeito da nação de Oyó.

Quando minha Mãe carnal, Mãe Zeferina de Oxum, tocava festa de 16 dias, Jovino ia para a casa da Mãe dois dias antes do início da obrigação e saia dois dias depois do final da obrigação. Tocava todos os dias um pouquinho, só com agê, cantando e ensinando as rezas. Tocava no peixe, quando saiam para o passeio e quando voltavam também.

Com ele aprendi a tirar as rezas, axé para apresentar o quatro pé, para dar o axé de Obé (faca), de Olifá (búzio), axés para coroar as penas e também axé para misericórdia, entre outros.

Aprendi muito com ele, tiro rezas desde os dez anos de idade.

Também conheci os já falecidos Chora, Tureba, Pedrinho de Yemanjá, Diguinho (Borel); as tamboreiras Evinha, Ataíde de Ogum e minha madrinha Alina de Odé, que era sobrinha carnal de Mãe Xina de Arganjú, da antiga Rua Arlindo.

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