Minha História

Nasci dentro da casa da minha avó, Leonor Antônia, Mãe Nora de Iansã, que ficava na Rua Baronesa do Gravataí, n° 716, na região do Areal da Baronesa. Ela já tinha em sua casa um Peji (quarto de santo).

Fui batizada como Leonor em homenagem à minha avó. A vó Nora era lavadeira e minha mãe carnal, Mãe Zeferina de Oxum, era cozinheira da Pensão Saraiva, que ficava na Rua da Praia.

Aos dois anos de idade, estive muito mal de saúde, quando o médico indicou à minha mãe que deveria me alimentar só de leite materno, já que nenhum outro alimento estava servindo; foi quando Mãe Palmira, também de Oyó, que morava na frente da casa de minha avó, se ofereceu para me amamentar e me salvou.

Convivi com Mãe Palmira até o dia de seu falecimento. Dos filhos de Mãe Palmira, convivi mais com Xinha, minha irmã de leite e vivemos em harmonia até hoje.

Da Baronesa do Gravataí, n° 716, nos mudamos para o 349.

Na mesma época, aos dois anos, pelos problemas de saúde que eu tinha, minha mãe me levou para a casa de Mãe Xina de Arganjú e me borindo [*] aos sete anos de idade.

Com o agravamento dos problemas de saúde de minha avó, minha mãe passou a tomar conta do ilê (casa).

Com o falecimento de mãe Xina, minha mãe carnal me levou para casa de Yá Joaquina de Iansã, que morava confronte ao 349 da Baronesa do Gravataí.

Passados os anos, faleceu uma pessoa na casa de mãe Joaquina e, como o tamboreiro acabou faltando e eu já tirava rezas desde os dez anos de idade, acabei tirando as rezas no eressun[**], pois não havia quem tirasse; foi quando a Iansã de Mãe Joaquina determinou que eu deveria me aprontar.

Sempre convivi dentro de duas casas de religião, no início, da minha vó e minha mãe de santo e depois, na casa de minha mãe carnal e de Yá Joaquina.

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* Bori: Segunda etapa na feitura de um religioso de matriz africana.

** Eressum: Cerimônia realizada no sétimo dia após o falecimento de um religioso.

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